Jack McCollough e Lazaro Hernandez são os novos diretores criativos da Loewe. Fotografia: Jeff Henrikson
Jack McCollough e Lazaro Hernandez vão suceder a Jonathan Anderson na direção da Loewe. Na véspera do comunicado, os fundadores da Proenza Schouler falaram com a Vogue Business sobre a sua entrada na casa de Moda espanhola, pertencente ao grupo LVMH.
"É claro que seguimos a Loewe há muito tempo e temos o maior respeito pelo que foi construído ao longo da última década - é verdadeiramente incrível", partilharam Jack McCollough e Lazaro Hernandez com a Vogue Business, no domingo à noite. Algumas horas mais tarde, na segunda-feira de manhã, os fundadores e antigos diretores criativos da Proenza Schouler seriam nomeados diretores criativos da casa de Moda espanhola detida pela LVMH. A sua nomeação, que entra em vigor a 7 de abril, ocorre exatamente uma semana depois da Loewe ter confirmado a saída do diretor criativo de longa data, Jonathan Anderson.
"Os valores da casa sempre nos inspiraram e estão muito próximos dos nossos: um compromisso com o artesanato e as artes, a liberdade e o amor pela experimentação, a superação de limites e, claro, um profundo envolvimento com a cultura", acrescentou a dupla de designers. "Tudo isto é algo que temos vindo a desenvolver de forma consistente na Proenza Schouler, embora numa escala mais pequena e independente. O objetivo é honrar os códigos da casa através da lente das nossas próprias histórias culturais e perspetivas estéticas pessoais. O papel de um diretor criativo hoje, na nossa opinião, é realçar a identidade central da marca de uma nova forma e fazê-la ressoar com o momento atual".
A primeira coisa que planeiam fazer após a sua chegada é conhecer as equipas e os artesãos. "O nível de artesanato que surge desta casa é inigualável, por isso estamos muito entusiasmados por aprender, colaborar e, juntos, ajudar a moldar o próximo capítulo da história desta marca notável", afirmaram.
McCollough e Hernandez alcançaram notoriedade em 2002, quando fundaram a marca de culto nova-iorquina Proenza Schouler, depois de se formarem na Parsons School of Design. Conhecida pelo seu espírito cool-girl e nova-iorquino, a marca tornou-se um dos pilares da NYFW nas últimas duas décadas, com exceção de uma breve passagem por Paris para a SS18 e AW18. McCollough e Hernandez anunciaram a sua saída da Proenza Schouler em janeiro, mas permanecerão no conselho de administração e continuarão a ser acionistas. Ainda não foi anunciado um novo diretor criativo.

Da esquerda para a direita: Proenza Schouler SS14, AW18 e SS22.
Monica Feudi - Feudiguaineri.com / Indigital.tv / Jonas Gustavsson, Cortesia de Proenza Schouler
"Quando deixámos a Proenza Schouler no início deste ano, falámos sobre a importância de ter múltiplos e diversos capítulos na vida para manter as coisas interessantes e avançar. Quando a Loewe nos contactou, sabíamos que era um desafio que queríamos aceitar", explicaram McCollough e Hernandez sobre a sua decisão de deixar a marca que fundaram. "Conhecemos Delphine Arnault [presidente e CEO da Christian Dior Couture] e Sidney Toledano [conselheiro do presidente e CEO da LVMH, Bernard Arnault] há anos e mantivemos o contacto. Temos imensa admiração e respeito por tudo o que construíram".
No comunicado da casa na segunda-feira, Toledano é citado a dizer que a "criatividade eclética e a dedicação ao artesanato de McCollough e Hernandez fazem deles uma escolha natural para construir o próximo capítulo da Loewe".
Têm um grande papel a preencher. Durante os seus 11 anos de mandato, Jonathan Anderson levou a Loewe de uma pequena marca de luxo que poucos sabiam pronunciar a uma das maisons mais badaladas da Moda. Manteve o foco da Loewe no artesanato, trazendo fortes referências culturais, da literatura e música canónicas ao hiper-realismo. Juntamente com produtos de sucesso como a carteira Puzzle, Anderson construiu o universo Loewe. O marketing da marca é muitas vezes reverenciado, nomeadamente a sua estratégia inovadora no TikTok, as campanhas memoráveis protagonizadas por nomes como Daniel Craig e Maggie Smith e o megawatt pool de jovens embaixadores, incluindo Drew Starkey, Ayo Edebiri e Taylor Russell.

Ayo Edebiri em Loewe nos Globos de Ouro de 2025.
Michael Buckner/GG2025/Penske Media via Getty Images
As vendas da Loewe passaram de aproximadamente 230 milhões de euros em 2014, de acordo com as estimativas da Morgan Stanley, para entre 1,5 mil milhões e 2 mil milhões de euros em 2024, de acordo com as estimativas do analista da Bernstein, Luca Solca. A Lyst classificou a Loewe entre as cinco marcas mais procuradas em cada trimestre de 2024 (ficou em primeiro lugar no segundo trimestre). E, na sua declaração de rendimentos de 2024, a LVMH afirmou que a Loewe foi "impulsionada pelo crescente conhecimento da marca e pela criatividade ousada das suas coleções".
A Proenza Schouler de McCollough e Hernandez era mais conhecida pelas suas clientes cool-girl de Nova Iorque, incluindo Chloë Sevigny e a fundadora da Moda Operandi, Lauren Santo Domingo. Embora talvez menos esotéricos do que a abordagem de Anderson, o seu jogo com silhuetas e o forte conhecimento de calçado e acessórios podem posicioná-los favoravelmente na Loewe, especialmente quando equipados com os artesãos altamente qualificados da marca e apoiados pela LVMH. A Proenza Schouler contou com uma série de investidores ao longo dos anos, desde Valentino a Andrew Rosen e, mais recentemente, Mudrick Capital Management. Tal como Anderson, os designers também sabem como navegar na passadeira vermelha, tendo vestido pessoas como Brie Larson (Met Gala 2024) e Beyoncé (Grammys 2015) em Proenza ao longo de 20 anos.


Brie Larson em Proenza Schouler na Met Gala 2024 e Beyoncé nos Grammy Awards 2015 em Proenza Schouler.
Dimitrios Kambouris/Getty Images e Axelle/Bauer-Griffin/FilmMagic
"A visão e a criatividade de Jack e Lazaro combinam na perfeição com os códigos da casa que construímos", declarou Pascale Lepoivre, diretora-geral da Loewe, no comunicado de segunda-feira.
"Para nós, este novo capítulo é uma oportunidade de continuar a fazer o que gostamos de fazer, mas numa escala maior", acrescentaram McCollough e Hernandez. "Permite-nos estabelecer uma ligação com um público global mais vasto, dispor dos recursos necessários para alimentar a nossa criatividade e, a nível pessoal, uma oportunidade de aprender e de continuar a esforçarmo-nos em domínios novos e desconhecidos, incluindo a mudança para Paris, que é algo que aguardamos com grande expectativa. É surrealista pensar que começámos esta viagem quando tínhamos 21 anos. Agora, com a experiência que adquirimos e com a mesma energia e curiosidade que nos impulsionaram na altura, estamos prontos para o que será certamente um capítulo decisivo nas nossas vidas."
Traduzido do original, disponível aqui.
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