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PhotoVogue Global Open Call | "Women by Women"

20 Mar 2025
By Alessia Glaviano

O Global Open Call 2025 do concurso PhotoVogue convida todas as mulheres artistas e pessoas que se identificam com o género feminino, a apresentarem trabalhos que explorem as diversas formas como as mulheres se representam a si próprias e umas às outras, através da fotografia e do vídeo.

Submeter inscrição aqui.

A urgência da representação

Delali Ayivi

A ilusão de um progresso linear – a crença de que os direitos, a visibilidade e o reconhecimento são irrevogáveis – foi destruída pelo atual clima político. Pelo mundo fora, temos assistido a um recuo cada vez mais acentuado contra a autonomia das mulheres, desde os direitos reprodutivos à liberdade de expressão, recordando-nos que aquilo que outrora parecia garantido também pode ser retirado.

À medida que estes direitos são contestados, torna-se mais urgente do que nunca considerar não só a forma como as mulheres vêem, mas também como continuam a criar espaços para as suas perspetivas. Num mundo em que a sua capacidade de moldar narrativas e definir visões continua a ser um campo de batalha, a representação é tanto um ato de resistência como uma ferramenta para a mudança.

Durante gerações, as mulheres lutaram não só para reclamar a forma como são vistas, mas também para afirmar o seu direito de ver nos seus próprios termos. A fotografia e o vídeo são, desde há muito, arenas onde a visão não é apenas uma questão de estética, mas de poder.

O Global Open Call do concurso PhotoVogue deste ano é dedicado ao tema Women by Women – uma celebração das inúmeras formas como as mulheres se representam a si próprias e umas às outras através da fotografia e do vídeo.

Amber Pinkerton

Do olhar feminino à visão das mulheres

Bettina Pittaluga

Esta conversa não é nova.

Em 2016, o Festival PhotoVogue explorou o olhar feminino, com artistas como Cindy Sherman, Petra Collins, Aida Muluneh, Nan Goldin e Zanele Muholi. Na altura, pareceu urgente e revolucionário – um contraponto necessário ao olhar masculino teorizado por Laura Mulvey. Uma nova geração de mulheres fotógrafas e cineastas estava a reivindicar o seu direito de olhar e ser olhada nos seus próprios termos.

Quase uma década depois, a pergunta mantém-se: será que este olhar feminino ainda capta a complexidade evolutiva da forma como as mulheres vêem atualmente?

Embora as perspetivas lideradas por mulheres na fotografia, no cinema e no vídeo se tenham expandido, as barreiras sistémicas persistem. As mulheres continuam a enfrentar disparidades em termos de visibilidade, oportunidades e estabilidade financeira. Entretanto, as plataformas digitais, embora ofereçam novas vias de representação, também intensificaram o escrutínio, comercializaram as narrativas feministas e restringiram a liberdade de expressão das mulheres.

Talvez o olhar feminino, como resposta direta ao olhar masculino, já não seja suficiente – pois continua ligado a uma oposição binária. Em vez disso, as teorias feministas e críticas contemporâneas expandiram a nossa compreensão da visão e da representação, ultrapassando as categorias rígidas para abraçar a fluidez, a interseccionalidade e a auto-definição.

Sophia Wilson

Entre os principais impulsionadores desta evolução, encontam-se as seguintes autoras:

bell hooks: explora a forma como a etnia, a classe social e a resistência moldam as formas de ver das mulheres.
Judith Butler: defende que o género é fluido, representado e em constante evolução.
Rosi Braidotti: relaciona a identidade com a tecnologia, o ambiente e as estruturas sociais em mutação.
Audre Lorde: reformula a diferença como uma fonte de poder e não de divisão.
Sylvia Wynter: questiona as hierarquias coloniais e raciais que moldam os paradigmas visuais dominantes.
Donna Haraway: desafia o essencialismo, defendendo o hibridismo e a interconexão.

Ao recorrer a estas perspetivas, ultrapassamos os quadros binários e reconhecemos que as formas de ver das mulheres são moldadas de forma dinâmica pelas experiências vividas, pelas histórias e pelas forças sociopolíticas que as restringem e redefinem.

Kate Biel

Porquê Women by Women?

Ramona Wang

Este open call não procura definir um “olhar feminino” singular, mas sim abraçar as formas ilimitadas como as mulheres vêem, interpretam e reconstroem a sua visão. Não se trata de opor os paradigmas visuais dominantes, mas de afirmar as perspetivas das mulheres como diversas, fluidas e determinadas.

Aceitam-se inscrições de todas as mulheres e de todas as pessoas que se identificam com a feminilidade – independentemente da etnia, identidade de género, sexualidade, aptidão e antecedentes sociopolíticos.

A identidade não é apenas moldada por quem segura a câmara, mas também pelo ato de ser visto.

Como Susan Sontag nos recorda em On Photography, a fotografia não reflete meramente a realidade – constrói-a.

Numa altura em que as identidades das mulheres estão sob ataque, em que os seus direitos e a sua própria existência estão a ser apagados, fotografar mulheres é um ato de afirmação. É uma declaração de que elas existem, que elas vêem e que são vistas – nos seus próprios termos.

Peyton Fulford

Women by Women: a reinvindicação da narrativa

Hilma 001
Emma Sarpaniemi

Em 2016, o conceito de olhar feminino foi uma intervenção crucial num mundo em que as perspetivas das mulheres tinham sido ignoradas durante muito tempo. Foi um passo essencial na recuperação de espaço na cultura visual.

Quase uma década depois, a conversa tem de evoluir.

Este open call vai para além de uma resposta binária ao olhar masculino, adotando uma abordagem mais fluida e interseccional que reflete as complexidades da identidade, do poder e da representação nos dias de hoje.

Em 2025, Women by Women afirma que a visão das mulheres não é meramente uma reação ao olhar masculino – é uma força poderosa por direito próprio, livre para moldar a sua própria narrativa.

Se a câmara é um poder, então vamos usá-lo – nas nossas próprias vozes, nas nossas próprias mil maneiras.

Mikhailia Petersen

Como participar

O candidato ideal

Procuramos mulheres fotógrafas e realizadoras de vídeo de todo o mundo, cujo trabalho ofereça perspetivas novas e cativantes em todos os géneros – da Moda aos documentários, retratos, belas artes, entre outros.

Henriette Sabroe Ebbesen

Elegibilidade e período de apresentação de candidaturas

As inscrições são gratuitas e estão abertas no Picter, de 18 de março a 1 de junho (até às 23h00).
Destinado a todas as mulheres, incluindo todas as pessoas que se identificam como mulheres, com idade igual ou superior a 18 anos.
Se já se candidatou anteriormente a um concurso PhotoVogue Open Call, encorajamo-lo a apresentar um novo projeto.

Métodos e temas aceites

Projetos de fotografia, vídeo e multimédia em todos os géneros – da Moda aos documentários, retratos, belas-artes e outros – que exploram a forma como as mulheres vêem e são vistas.

As obras geradas por IA não são elegíveis.

É possível submeter:
- Uma série de, no máximo, 15 imagens (são permitidos elementos de vídeo)
- Um excerto de vídeo de 60 segundos

Submeter inscrição aqui.

Júri e processo de revisão

Um júri composto por editores da Vogue e especialistas internacionais em audiovisuais analisará as candidaturas, garantindo uma perspetiva alargada e inclusiva.

Se também estiver a participar nos nossos outros concursos de open call, pode candidatar-se nesta edição com um projeto diferente.

O júri será anunciado em breve.

Código de conduta

A PhotoVogue reserva o direito de incluir ou desqualificar participantes para manter um espaço criativo seguro, inclusivo e respeitoso.

Eleonora d'Angelo

Bolsas e oportunidades

Estamos a atribuir um total de doze mil dólares em subsídios a três artistas cujo trabalho desafia as convenções e expande as possibilidades criativas:

6 mil dólares: Outstanding Vision Grant – para um artista que ultrapassa os limites da criatividade.
4 mil dólares: Vision Grantpara um artista com uma perspetiva única e cativante.
2 mil dólares: Rising Voice Grant – para um artista emergente que demonstre originalidade e promessa.

Reconhecimento e exposição

Os artistas selecionados irão:
Ser apresentados na próxima edição do Festival PhotoVogue
Ter a oportunidade de ver o seu trabalho nas edições da Vogue mundiais
Ser selecionados para participar nas próximas sessões virtuais de revisão de portfólios do PhotoVogue

Mais oportunidades e atualizações serão anunciadas durante o concurso.

Traduzido do original, disponível aqui.

Alessia Glaviano By Alessia Glaviano

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